• Contas do passado

    Alice chegou, às 16 horas, na casa de Fabíola. Ela sabia que precisava se apressar, pois logo o marido da amiga chegaria.

    — Preciso do seu carro. – ela foi direto ao ponto quando encontrou a moça.

    — O quê?

    — Pois é. Sabe como é. Preciso vendê-lo para pagar algumas dívidas. Estão no meu pé o mês todo. Eu tentei despistá-los, mas sabe como é.

    — Calma. – a amiga respirou fundo. – Eu não posso lhe dar o meu carro. Meu marido não vai gostar nem um pouco disso.

    — Acho que ele gostaria bem menos de saber como Helena foi gerada, se é que me entende.

    Balançando a cabeça, Fabíola jogou a chave do carro na mão da amiga, que saiu dali, acelerando em direção ao acerto de contas.

  • Imagem: Principis

    Oi, pessoal!

    O livro que escolhi para este mês é Um Conto de Natal, do Charles Dickens.

    Ele conta a história de Scrooge, um velho ranzinza que não comemora o Natal. Ele é visitado pelos fantasmas de três Natais: o Passado, o Presente e o Futuro. E, com isso, ele aprende muitas lições.

    O livro é curto e de fácil leitura. Uma ótima pedida para o mês de dezembro.

  • O caminho de volta

    O caminho, conhecido por mim em uma época remota, parece ter mudado completamente. Não reconheço mais as calçadas em que tanto brinquei e a sorveteria em que eu ia com meus amigos, agora é uma barbearia.

    Quando o GPS diz que chegamos ao local, não consigo acreditar. A casa, antes tingida em um tom rosa bem claro, agora está completamente azul, do tipo que se pode ver do outro lado da cidade.

    Desço do carro e bato à porta. Espero que minha irmã abra, mas vejo um homem sem camisa quando finalmente a porta se abre. Escuto a voz de minha irmã vindo do fundo e entro na casa, depois de cumprimentar o homem. Rapidamente, ele veste sua camisa e avisa para ela que vai embora.

    Vou até o quarto de minha irmã e encontro-a deitada na cama, chorando. Pergunto para ela o que aconteceu e ela acena na direção da porta por onde o homem acabou de passar. Bem, essa é outra grande mudança, já que eu nunca a vi chorando por alguém. Prefiro não insistir no assunto para não irritá-la.

    Pergunto sobre os nossos pais e ela diz que eles estão bem, divertindo-se muito em Trancoso, sua nova casa. Vendo que ela continua chorando, deito-me ao lado dela e coloco meu braço em sua cintura. Noto que seus cabelos, antes loiros, estão completamente pretos.

    Mas quando ela me abraça forte, noto que aqueles dois dias de viagem valeram à pena. Muitas coisas mudaram, mas tenho certeza de que meu amor por ela continuará sempre o mesmo.

  • Imagem: Twitch

    Oi, pessoal!

    Como indicação de aplicativo para este mês eu escolhi o Twitch. Este é um streaming de vídeos ao vivo que se concentra basicamente em jogos de videogame/computador/celular. Entretanto, você também pode fazer transmissões ao vivo, jogando jogos de tabuleiro ou apenas conversando com seus seguidores.

    É um aplicativo muito popular dentre os gamers e também é intuitivo para os espectadores (para os streamers, nem tanto).

    Siga nosso perfil no Twitch clicando aqui.

    Twitch é totalmente gratuito e está disponível para Android e iOS.

  • Imagem: Netflix

    Oi, pessoal!

    Minha indicação para o filme do mês é A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas.

    O filme conta a história desta família, que está viajando pelos Estados Unidos, para levar a filha mais velha para a faculdade. Kate está ansiosa para chegar na faculdade e encontrar o seu grupo de amigos. Entretanto, uma revolta dos dispositivos eletrônicos atrapalha os seus planos. Agora, eles precisam salvar a humanidade.

    É um filme muito divertido e engraçado. Além disto, o cachorro da família, Monchi, tem todos os seus sons (ronquinhos) dublados por Doug the Pug.

    A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas está disponível na Netflix.

  • Árvore

    Um barulho alto vem do outro quarto. Será que devo ir até lá? Seria mesmo necessário? Aguardo mais alguns instantes, sem saber como agir.

    Agora, tudo está em silêncio. O que teria acontecido? Eu não devia tê-la deixado sozinha. Ela disse que estava assustada, que tinha medo dele. Mesmo assim, eu disse que os dois deveriam conversar. Imaginei que era só mais uma briga de casal, que eles logo se resolveriam.

    Mais uma vez o mesmo barulho. Será que ele a agrediu? Pode ser que sim. Mas podem estar só transando. Preciso ter certeza primeiro. Não quero entrar e encontrar os dois pelados na cama. Além disso, ela não me deu o sinal que combinamos.

    Se ela realmente estivesse em perigo, gritaria “árvore” e eu entraria no quarto. Combinamos isto ontem à noite, quando ela estava deitada em minha cama, conversando. Este seria o sinal de que as coisas não andavam bem. E não ouvi nada parecido com isto.

    Mas, ela pode não ter dado o sinal por estar com a boca tapada. Ou pode já estar morta. Penso que não, que isso não seria possível. Eu teria ouvido alguma coisa. A não ser que ele a tivesse asfixiado. 

    Preciso afastar esses pensamentos o mais rápido possível. Vou até a cozinha pegar um copo d’água. O copo cai das minhas mãos e, em seguida, ouço a porta abrir. Ele sai do quarto e, sem dizer uma palavra, vai embora. Vou até o quarto e a encontro com o nariz cortado. Ela está desacordada e talvez este seja o motivo de não ter me avisado. Meu coração dói. Sinto que falhei. Eu deveria ter entrado antes.

  • Imagem: ABC

    Oi, pessoal!

    A série que eu escolhi para este mês é bastante conhecida.

    Família Dinossauro conta a história de um pai chamado Dino, que é casado com Fran e possui três filhos: Bob, Charlene e Baby.

    A série de 1991 é cheia de ironias e críticas à maneira como nós humanos vivemos. Mesmo assim, consegue trazer tudo isso de uma maneira leve e bem humorada.

    Família Dinossauro possui quatro temporadas e está disponível no Disney+.

  • Recarregada

    Chego em casa exausta. 

    No trabalho, tive que correr de um lado para o outro, pegando documentos e construindo tabelas. Isso só para, em seguida, ficar esperando mais de três horas por uma consulta médica .

    Tiro minha roupa, jogando-a em um canto do quarto. Depois de um banho demorado, deito-me na cama e tiro um longo cochilo. 

    Às 21 horas, acordo e decido comer algo. Enquanto meu miojo cozinha, pego o celular e vejo o que está acontecendo. Minhas amigas na balada, meu ex viajando com sua nova namorada, meus primos indo ao cinema juntos. 

    E depois, ele.  Meu coração acelera ao ver sua nova foto: sentado no sofá, com os cabelos bagunçados e brincando com seu cachorro. Postada há um minuto. Ainda é muito cedo para curtir, mas quem liga?

    Em menos de trinta segundos, recebo uma mensagem dele. Imagino como deve estar, provavelmente assistindo a algo na TV com o cachorro no colo. Isso é bem a cara dele. Respondo imediatamente e começamos a conversar. O tom das nossas mensagens é de flerte, mas também de uma profundidade absurda.

    Quando me deito na cama à noite, continuo pensando nele. Como alguém que eu nunca toquei consegue me fazer tão bem?

Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.