Nesta quarentena, muitas pessoas estão assistindo a lives pra se divertir. Eu sou uma dessas pessoas. Mas era muito difícil pra mim saber quando teria alguma live e eu acabava perdendo alguma de um cantor que eu gostava.
Quando descobri um aplicativo com todas as lives, logo baixei. E agora eu consigo ver o dia da live dos cantores que eu gosto e me programar para assisti-las.
Eu não tenho certeza se o Agenda de Lives está disponível para Android, mas de qualquer forma tem outros apps que podem ajudar. Você também pode seguir o Instagram deles @agendalives.info.
A mensagem aparece na tela do meu celular. Levanto-me da cama e deixo minha mulher dormindo.
Ao entrar no carro, percebo que minhas mãos tremem. Saio pelas ruas desertas. Já passam das quatro da manhã. Tenho pouco tempo para fazer isso.
Paro no mercado do quarteirão e pego uma caixa de cereais, mesmo sem leite para acompanhar. Deixo o pequeno dispositivo acoplado na prateleira. Pago e volto para o carro. Alguns minutos depois, estaciono no meio da ponte, abro as janelas e sinto o vento afagar meus cabelos. Suspiro e como um pouco de cereal, enquanto meu coração tenta sair do peito.
Então, apoio-me nas barras de metal da ponte, que parecem pedras de gelo, mesmo que não esteja muito frio. A sensação é de que meus dedos vão congelar a qualquer momento.
Sem pensar duas vezes, faço meu corpo pender em direção à água, gerando um leve ruído. Apesar do aspecto devastador disso para mim, o mundo permanece o mesmo que antes. Ou talvez não.
Venho com uma indicação de série pela qual eu me apaixonei nos últimos dias e assisti a todos os episódios em uma noite.
Conta a história de Devi (Maitreyi Ramakrishnan), uma garota indiana que mora nos Estados Unidos. Na escola, ela não é popular, sendo amiga apenas de Fabiola (Lee Rodriguez), louca por computadores, e Eleanor (Ramona Young), atriz de teatro.
Depois de se aproximar de Paxton (Darren Barnet), o garoto popular por quem ela é apaixonada, Devi acaba se tornando conhecida na escola. Ainda troca farpas com Ben (Jaren Lewison), o garoto com quem ela disputa o posto de mais inteligente da classe.
É uma série com representatividade, com personagens cativantes e muito diferentes um dos outros, cada um passando por seus próprios dilemas. Além disso, é uma série muito engraçada e eu garanto que você vai rir muito.
A primeira temporada de Eu Nunca… está disponível na Netflix.
A respiração é falha, exausta pelo esforço. Continuo tentando alcançá-lo, mas ele parece estar a milhas de distância. Não faz nem questão de olhar para trás.
Limpo as lágrimas na manga do casaco. Grito seu nome, na esperança de que ele me espere. Ele pára. Acelero ainda mais os passos, com medo de que ele volte a correr sem nenhum aviso.
Por fim, posso sentir seu cheiro e ver seu rosto. Ele não me diz nada, nem olha para mim. É como se estivesse tão distante quanto antes. Neste momento, sinto como se o mundo repetisse um padrão. Algo não parece certo, mas não sei se tal sensação é fruto de um sentimento de culpa ou se trata de mais uma de minhas paranoias.
Tento me aproximar ainda mais, estendendo minha mão para tocá-lo. Vejo-o se afastar outra vez, correndo de cabeça baixa, com medo de olhar-me nos olhos.
Tento voltar a correr mas as pernas não me obedecem. Jogo-me no chão, chorando enquanto o perco de vista.
O saguão do aeroporto está lotado. Homens de terno carregando pastas andam rapidamente. Mulheres, provavelmente vindas de uma viagem internacional, carregam seu carrinho cheio de malas até o ponto de táxi. Famílias fazem um lanche no restaurante mais próximo.
Eu, por outro lado, não compartilho nenhum destes estados de espírito. Bato os pés no chão com força, arranco pedaços de pele de meus dedos. Não sei o que esperar ou o que dizer a ela. Nem mesmo sei como fiquei sabendo que ela estava chegando.
Será que vamos nos reconhecer? Nunca nos vimos pessoalmente. Não com essa aparência.
Neste momento, já roí todas as minhas unhas e o sangue pinga de meus dedos, deixando marcas no chão do aeroporto que acaba de ser limpo. Pergunto-me quantas vezes por dia aquele chão é limpo. Ou quantas pessoas passam por aqui diariamente. Qual a minha real chance de encontrá-la? O saguão fica ainda mais cheio com a chegada de novos passageiros e eu olho para os lados, procurando-a, não sabendo o que esperar. Mas sei que vamos nos encontrar, porque é isso que sempre fizemos.
E então eu a vejo. Por mais que não tivesse a menor ideia de como ela se parecia fisicamente, por mais que não conseguisse imaginar os seus olhos e seus cabelos, sei que é ela. Meu coração me diz para ir até lá, mesmo que isso seja apenas por estar fascinado com a sua beleza. Forço minhas pernas que agora tremem e paro na frente dela.
— Que saudade de você. – digo, abraçando-a. Ela reluta um pouco e eu me apavoro. E se não for ela que estou procurando? E se tudo isso for uma loucura como meus amigos me disseram? Para o meu alívio, por fim, ela relaxa em meus braços.
— Acabei de descobrir o que vim fazer aqui. Estava em casa procurando com o que matar o tempo e senti uma urgência de comprar a primeira passagem e vir para cá. Ainda bem que me encontrou.
Abraço-a e beijo todo seu rosto, acostumando-me com a sensação de tocá-la mais uma vez, com seu novo corpo, novo cabelo e novos lábios, mas sendo a mesma mulher inteligente e divertida por quem me apaixonei no começo da humanidade.
Fiz um vídeo no Instagram (@provavelescritora) falando sobre os livros que li no mês de março. Se você ainda não tiver visto, recomendo que assista. Para quem já assistiu, deixo aqui o link para comprar os livros que li em março.
Lá fora, o mundo volta à vida. É estranho ver um espaço que esteve vazio por tantos meses se preenchendo novamente. Com pessoas reais. Conversando, abraçando-se, vendendo coisas. Há algum tempo, elas estavam proibidas de fazer isso.
Pelo celular, todos combinam encontros com os amigos, ir para o bar ou sair com alguém que conheceu online. Depois de tanto terem se afastado uns dos outros, elas finalmente poderão partilhar novos momentos, dividir novas lembranças.
Aqui dentro, tudo parece igual. Passei tanto tempo isolado em casa, imerso em meu home office e minhas conversas por WhatsApp que desaprendi a falar. É muito mais fácil mandar uma mensagem ou um áudio e, se alguém disser algo de que não gosto, posso ignorar. Não é assim que as coisas funcionam na vida real.
Deveria ter ido trabalhar hoje, mas não consegui. Disse ao meu chefe que estava doente. Enquanto isso, meu celular vibra incessantemente com mensagens de amigos e de antigas ficantes. Minha mão transpira a cada notificação. Eu, que saía todo final de semana, agora sinto pânico de pisar fora de casa.
Desligo o celular. Meu final de semana vai ser como todos os últimos: pipoca e Netflix.
Oi meus amores, tudo bem? Vim com uma indicação de livro pra vocês.
Escrito em 1856, o livro de Gustave Flaubert conta a história de Emma Bovary, casada com um médico. Ela não se sente satisfeita com seu casamento e arrepende-se de ter se unido com Charles Bovary.
Por isso, ela começa a trair o marido, relacionando-se com outros homens. Madame Bovary é considerado o pioneiro dos romances realistas e a obra continua impactando milhares de leitores todos os anos.
O mais genial é que Flaubert tenta construir uma personagem adúltera, que deveria ser odiada pelo público, mas ela acaba sendo amada pela maioria.