• Boa noite a todos!

    O nosso primeiro dia em Veneza, na verdade, começou em Roma. Saímos da capital de trem 05:35 da manhã, chegando em Veneza 09:30. Fomos andando para o nosso hotel para deixarmos as malas, mas ainda não podíamos entrar no quarto.

    O tempo estava nublado e frio, mas nada que prejudicasse tanto a visão. Fomos conhecer a Ponte de Rialto, a mais antiga e famosa ponte sobre o Grande Canal. Depois, fomos fazer o passeio das três ilhas da lagoa.

    Tivemos um pequeno problema pois não recebemos nosso voucher por e-mail e tínhamos apenas o número do pedido. A moça foi verificar nosso nome na lista, mas, enquanto isso, nosso grupo tinha ido embora. Precisamos correr para chegar ao barco antes que ele partisse.

    A primeira ilha foi Murano, conhecida por seus vidros e cristais. Assistimos a uma demonstração impressionante de como esses vidros são feitos mas, infelizmente, não conseguimos andar pela cidade devido ao pouco tempo que tínhamos até retornar ao barco.

    A segunda foi Torcello, a ilha menos famosa de Veneza, mas a região continuamente habitada há mais tempo. Hoje conta com apenas cem moradores.

    Por fim, a mais bonita de todas (na minha opinião), a ilha de Burano. Ela possui 4000 habitantes e é a ilha mais colorida de todas. As casas são realmente muito fofas e chamam muita atenção.

    Depois, voltamos para o hotel, nos arrumamos e fomos jantar. E esse foi o nosso primeiro dia de viagem em Veneza. Espero que tenham gostado. Beijos e até amanhã!

  • Filme do Mês: Doce Lar

    Imagem: Doce Lar

    Boa noite a todos! Faz um bom tempo que não faço filme do mês por conta da viagem. Além disso, não tenho assistido a muitos filmes ultimamente. Por isso, escolhi um dos meus favoritos que ainda não havia indicado aqui, por mais que seja antigo.

    Doce Lar (Sweet Home Alabama) é um filme de 2002 que conta a história de Melanie (Reese Whiterspoon), uma estilista que foi para New York para fugir de seu marido e amor de infância, Jake (Josh Lucas).

    Ela acaba se apaixonando pelo filho da prefeita de New York, Andrew (Patrick Dempsey) e, quando ele a pede em casamento, Melanie precisa voltar ao Alabama para fazer com que Jake assine o divórcio.

    Só com essa sinopse acho que todos imaginam o que vai acontecer no final, não é mesmo? Mas é um filme engraçado, gostoso de assistir, bom para curtir uma fossa ou uma preguiça de domingo.

    Doce Lar está disponível na Netflix.

  • Vaninha

    Amar Osvaldo nunca foi fácil. Desde a primeira vez, me senti atraída por ele, mas sabia que era algo muito diferente do que tinha vivido antes. Ele era um homem muito humilde e simpático, ainda que extremamente tímido. E sempre me senti tentada a conhecer os mistérios dos tímidos.

    Reparei em sua beleza, mas não foram os seus olhos cor de amêndoa, seu sorriso entorpecente ou sua potência sexual que me fizeram ficar com ele. Foi o gosto pela aventura. Queria desafiar o famoso Senhor Borges, meu pai, que se achava o dono do mundo. E também o meu dono. Embora me desse as mais caras roupas, sempre escolhia o que eu deveria vestir. Por mais que me desse dinheiro para sair, dizia com quem e para onde eu deveria ir. 

    Estava farta dele e de sua maneira possessiva. Queria sair e conquistar o mundo, mas nunca poderia fazê-lo sob as asas de meu pai. Osvaldo foi a minha oportunidade. Fugimos. Eu, tão iludida, imaginava que iríamos viajar, conhecer cada canto deste planeta. Osvaldo me amava sem limites e eu me permitia ser amada de volta. Logo, quebrei a cara. 

    Acabei me tornando a mulher que meu pai esperava que eu fosse. Tornei-me uma dona de casa, mãe de quatro filhos mas, desta vez, sem dinheiro. Não possuía as regalias de meu pai. Passava o ano com seis trocas de roupa e, em minhas gestações, enlouquecia pensando em tudo que não tinha dinheiro para comprar para as crianças. 

    Tornei-me uma péssima esposa para Osvaldo. Queria ser uma pessoa melhor, conversar com ele e me mostrar acessível, mas não conseguia. Aquilo estava muito distante do que sonhava. Comecei a brigar com ele por qualquer motivo, reclamava enquanto ele dava o suor e a vida para me agradar.

    A culpa me consumia. Entretanto, quanto mais culpa eu sentia, mais o castigava. Tinha prazer em vê-lo infeliz, queria que percebesse que era assim que me sentia. Minhas reclamações se tornavam cada vez mais frequentes, enquanto ele silenciava um pouco a cada dia.

    Num momento de desespero, tentei entrar em contato com meu pai e pedir ajuda para sair daquela vida. Descobri que ele havia sido assassinado. Tinha roubado muito dinheiro, eles disseram. Foi um baque gigante, uma nova oportunidade para mudar de vida.

    Osvaldo não possuía muito dinheiro, mas era honesto. E ele cuidava de mim tão bem. Tornei-me uma esposa melhor. Parei de reclamar e agradecia por tudo que meu marido fazia por mim. Chegávamos até a ter intimidades umas três vezes na semana. 

    Era grata e, ao mesmo tempo, infeliz. Quando meus filhos foram embora de casa, o baque foi ainda maior. Não tinha vontade nenhuma de ficar sozinha com Osvaldo mas, ainda assim, o fazia todas as noites. É que ele me amava tanto e agora eu não sabia mais se amava algo. Então permitia que ele me amasse, na esperança de que sentisse algo, que alguma coisa invadisse meu corpo e me desse um novo sopro de vida. Não funcionou.

    Os anos se passavam e eu me sentia cada vez mais deprimida, enquanto, por fora, era uma mulher realizada. Fingi por muitos anos, tentando ser alguém que não era. Vivi para agradar meu pai, meu marido, meus filhos. Não mais. Deveria estar viajando por aí, conhecendo novos lugares, vivendo novos amores. Meu tempo já passara, não tinha mais forças. Todo o ânimo e força de vontade foram gastos nestes muitos anos cuidando de meus filhos e marido. 

    Agora, ajoelho-me e puxo o objeto debaixo da cama. Passo a mão por todo o cano, o apoio, o gatilho. É muito pesado, mas a vida parece ainda mais. Já não tenho mais coração, nem mãos ou corpo. Sou um ser sem forma. Pondero o que devo fazer. Acredito que não tenha mais um cérebro também. Tornei-me um enorme vaso de plantas. Um mero objeto de decoração que nada mais faz além de respirar e se alimentar. Talvez os vasos de plantas tenham alguma utilidade. Eu não tenho.

    Os corvos gritam enquanto fogem dali. 

  • Boa tarde a todos!

    Voltei com mais um diário de viagem, desta vez falando sobre o quarto e último dia em Roma.

    Como chegamos na cidade numa quinta-feira, havíamos perdido a missa do Papa, que ocorre todas as quartas. Mas tivemos muita sorte com relação a isso. Descobrimos que naquele domingo em que estávamos lá ocorreria uma cerimônia de canonização, incluindo a nova Santa brasileira, a Irmã Dulce.

    Foi uma cerimônia linda, realizada em latim, e que realmente me tocou. Ao final, ainda tivemos a sorte de poder ver o Papa Francisco em seu Papamóvel bem de perto. (Para quem quiser ver, o vídeo está no meu instagram @laurabragam)

    De lá, fomos para a Piazza del Popolo e acabamos entrando no Museu Leonardo da Vinci. Achei meio caro considerando que tudo ali se tratava de réplicas, mas foi divertido para conhecer um pouco mais do trabalho deste gênio.

    Então, fomos para os Museus Capitolinos, um dos museus mais antigos do mundo, iniciado com uma doação de bronzes em 1471. Os museus são formados por dois prédios, ligados por uma passagem subterrânea. Encontram-se na Piazza del Campidoglio, um projeto de Michelangelo. No centro da praça, encontra-se uma réplica da estátua de Marco Aurélio em cima do cavalo. A original, feita em bronze, está dentro do museu.

    A visita foi como dar um mergulho na história de Roma. Quadros e esculturas bem interessantes e o passeio valeu muito à pena. Gostei muito da vista que ela tem para o Foro Romano e foi divertido atravessar a passagem subterrânea.

    De lá, fomos jantar e depois dormir, pois precisávamos acordar cedo para ir ao segundo destino.

    E esse foi o nosso último dia em Roma. Volto amanhã para falar sobre o primeiro dia na próxima cidade. Será que alguém consegue adivinhar qual é? Beijos e até mais!

  • Olá, meus amores!

    Peço perdão por não ter feito esse post semana passada. Estava na correria tentando colocar todos os meus compromissos em ordem. Ainda não consegui, mas continuo tentando.

    Enfim, vamos ao que interessa. No terceiro dia de viagem, dormimos até um pouco mais tarde (oito e meia da manhã, rs) e fomos para a Fontana de Trevi. Ficamos impressionadas com o tamanho das suas esculturas e tudo que ela representa.

    Imagem: Provável escritora

    A Fontana de Trevi, como conhecemos hoje, foi desenhada e projetada por Nicola Salvi e inaugurada no ano de 1762. Ela é a maior fonte de Roma, com 20 metros de largura e 26 metros de altura. Mesmo assim, foi difícil tirar fotos já que todos os lugares estavam ocupados por turistas. Mas vale muito a pena visitar, já que a Fontana é linda e uma das fontes mais famosas do mundo.

    Imagem: Provável escritora

    De lá, fomos para a Praça da Espanha. Vimos a famosa Fonte Barcaccia, a Escadaria Monumental e a Igreja Trindade dos Montes. Vimos também uma turista ser multada em 500 euros por ter subido no corrimão da escadaria, então tenham cuidado!

    Fizemos uma longa caminhada até a Galeria Borghese, passando pelo lindo parque da Villa Borghese. Como era sábado, havia músicos tocando por ali, deixando o ambiente ainda mais agradável.

    A Galeria Borghese é situada em uma mansão de dois andares que pertenceu à antiga família Borghese e é um dos museus de arte mais importantes de Roma. Entretanto, não me agradou muito. Não havia nada que me chamasse a atenção e acabou sendo um pouco entediante. Eu não voltaria lá em uma segunda ida a Roma.

    De lá, caminhamos até o Panteão, que nos deixou espantadas. O Panteão foi construído em 27 a.C, destruído por um incêndio em 80 d.C. e reconstruído no século VII. O Panteão se mantém em bom estado de conservação, sendo o monumento da Roma Antiga melhor conservado.

    O Panteão impressiona por seu tamanho, mas também parece estar fora de contexto. Como é uma construção muito antiga no meio de construções mais novas, ele parece ter sido colocado ali por engano.

    Entretanto, o Panteão por dentro não é tão bonito quanto por fora. Dentro, encontramos alguns túmulos de antigos reis e do famoso pintor Rafael Sânzio. Possui uma bela decoração, mas também um grande espaço vazio. Fiquei um pouco decepcionada com a parte interna, pois não combina com todo o esplendor da parte externa.

    Saindo do Panteão, fomos jantar ali perto e acabamos pedindo duas pizzas, pois nos disseram que a pizza era individual. Acabou que cada pizza tinha seis pedaços e a massa era muito fina, então foi muito difícil comer. Deixo uma dica: não peçam pizza na Itália. As massas são muito melhores do que as pizzas.

    Voltando para o B&B, passamos na frente da Fontana de Trevi mais uma vez e pudemos ver sua iluminação noturna, deixando-a ainda mais linda.

    E assim foi o nosso terceiro dia em Roma. É isso pessoal, espero que tenham gostado. Beijos e até mais!

  • Livro do Mês: Vincent

    Imagem: Blog TNB

    Oi gente!

    Vim com o livro do mês, que eu acabei de ler hoje mesmo. Quem me conhece sabe que eu sou apaixonada pelo trabalho e a história de Vincent Van Gogh. Inclusive, grande parte da minha viagem foram seguindo os passos dele pela Europa (vou falar mais sobre isso no diário de viagem).

    Depois de ler Van Gogh – A vida, com mais de 1000 páginas, sabemos que o livro Vincent, com 140, não poderá contar toda a história do pintor. E, por sorte, Barbara Stok não tenta fazer isso.

    O livro, feito em quadrinhos, mostra a vida do pintor desde sua ida para Arles em 1888 até sua morte, aos 37 anos, no ano de 1890 em Auvers-sur-Oise (que eu visitei na minha viagem).

    Barbara manda muito bem nos desenhos e acerta em intercalar as histórias com as cartas de Vincent para Theo. Além disso, gostei muito por ela não ter representado a morte de Van Gogh, assunto que ainda traz contradição até os dias de hoje.

    Vincent é um livro curtinho e muito bom de ler. Recomendo para aqueles que querem conhecer um pouco da história de Van Gogh e para aqueles que querem se apaixonar ainda mais por ele.

    Você pode comprar o livro Vincent aqui.

  • Olá meus amores!

    Voltei com mais um diário de viagem, falando agora sobre o segundo dia em Roma.

    O dia começou com uma visita ao Vaticano. O Vaticano é um país que fica no centro de Roma e sua construção começou em 1447 com o Papa Niccolò V. A Capela Sistina teve sua construção iniciada em 1471 e os Museus do Vaticano foram fundados em 1506, com a ligação entre algumas galerias já existentes.

    Fachada dos Museus do Vaticano.
    Imagem: Provável escritora

    E foi assim que iniciamos nosso dia. Fomos aos Museus do Vaticano às 7h, duas horas antes de sua abertura.

    O local em si já é impressionante. Tetos com pinturas deslumbrantes, portas enormes, objetos feitos de ouro.

    Mas temos que admitir que o ponto alto dessa visita é a Capela Sistina, nome em homenagem ao Papa Sisto IV, e lugar onde encontramos algumas das maiores obras primas de Michelangelo. Ela se encontra dentro dos Museus do Vaticano. Atualmente, não ocorrem celebrações lá, mas continua sendo a sede do conclave, onde o Colégio dos Cardeais escolhe um novo papa.

    O lugar é impressionante, mas fotos não são permitidas. Entretanto, muitas pessoas estavam tirando fotos escondidas. Algumas eram repreendidas, outras não. Algo que me decepcionou muito foi a grosseria dos seguranças com os visitantes. Eles gritavam pedindo silêncio e chegavam até a empurrar algumas pessoas para que elas andassem mais para frente. Por esse motivo, não tive muito tempo de apreciar toda a beleza dos afrescos de Michelangelo.

    Continuamos a visita e vimos mais algumas obras e também as áreas externas do museu. É um lugar muito bonito e me senti muito feliz de ter visitado. Todos que visitarem Roma deveriam ir aos Museus do Vaticano.

    Depois do Museu do Vaticano, fomos para a Basílica de São Pedro. A Basílica é a igreja do Papa e abriga a Santa Sede. Todas as quartas-feiras ele realiza a audiência papal, sua missa da semana. No resto do tempo, a Basílica tem visitação gratuita.

    A Basílica por fora já é um espetáculo, mas por dentro é ainda mais impressionante. Podemos ficar horas observando cada detalhe e ainda não seria o suficiente. Além disso, é um lugar com uma energia boa, onde nos sentimos mais leves.

    Dentro da Basílica, encontra-se outra obra muito famosa de Michelangelo, a Pietà, que representa Jesus morto nos braços da Virgem Maria. É uma escultura muito bonita, que orna bem com o interior da igreja.

    Saímos da Basílica, enviamos cartões postais pelo correio do Vaticano e fomos para o Castelo de Sant’Angelo. Começou a ser construído em 135 pelo Imperador Adriano, que pretendia usá-lo como mausoléu para sua família. Acabou se tornando um edifício militar que muitas vezes oferecia proteção para o Vaticano.

    No castelo, vemos algumas celas onde ficavam os prisioneiros, os quartos onde os Papas se hospedavam e alguma artilharia de guerra, como canhões. Não vi nada de especial no castelo, mas possui uma ótima vista panorâmica.

    Saindo do castelo, fomos para o Foro Romano e o Monte Palatino, já que não havia dado tempo no dia anterior. Vimos a ruínas dos antigos prédios do Império Romano. Subimos o Monte Palatino, uma das partes mais antigas da cidade, que pode ter sido habitada desde 1000 a.C.

    Infelizmente, como chegamos no final da tarde, não conseguimos ver tudo que estes dois locais poderiam nos proporcionar, mas foi lindo ver o Sol começar a se pôr lá.

    Depois disso, fomos jantar e voltamos para o B&B. E assim acabou o segundo dia de viagem. Espero que tenham gostado, volto amanhã com mais um capítulo.

    Beijos e até logo!

  • Osvaldo

    Seu Osvaldo nasceu no meio do nada. Para onde quer que olhasse, via apenas mato. E vacas, bois, cavalos e galinhas. Entretanto, o que mais gostava era o mato. Adorava passar a mão pelas folhas das árvores e se pendurar em seus galhos. Foi este ambiente que ocupou durante quase toda sua vida.

    Filho bastardo, ajudou a mãe a cuidar de seus dez meios-irmãos. Frequentemente, era vítima dos acessos de raiva dela, mas não se importava. Continuava tomando conta de tudo e de todos, não importando o que acontecesse.

    Aos vinte anos, saiu da casa da mãe pois a situação havia ficado insustentável. Depois do nascimento dos seus dois primeiros sobrinhos, não havia mais espaço para todos habitarem a mesma casa. 

    Conseguiu um emprego na fazenda do senhor Borges, um homem muito rico que possuía um terreno de mais de quinhentos alqueires. Lá, conheceu Vaninha, a filha do patrão. Sentia-se nervoso perto dela e o seu maior desejo era poder tocar seus cabelos castanhos e roubar-lhe um beijo. Vaninha sentia atração por ele, mas sabia que não era certo.

    Uma noite, seus sonhos se realizaram. A lua iluminava o céu e ele havia terminado seu trabalho naquele dia. Estava fedido e sujo quando Vaninha apareceu. Ele nunca tinha visto mulher tão linda. Ela parecia brilhar naquela noite. Seus cabelos estavam soltos e usava um vestido de noite. Enquanto Vaninha esperava sua carona para a quermesse, começaram a conversar. Ela não apareceu em evento nenhum naquela noite. 

    Uma semana depois, fugiram para o Mato Grosso. As mãos de seu Osvaldo suavam e o coração falhava ao pensar na possibilidade de serem pegos, mas se sentia prestes a desmaiar cada vez que olhava para Vaninha. Se tivesse ganhado na Mega Sena, ainda se sentiria menos sortudo do que naquele momento. Ela, por espontânea vontade, havia deixado tudo para fugir com ele. Osvaldo só tinha carinho e dedicação para lhe dar.

    Algum tempo depois, ele descobriu que o Senhor Borges havia oferecido uma recompensa pela cabeça deles. Não se importou com isso, pois estava longe do Maranhão e muito apaixonado pela mulher. 

    Viveram felizes por muitos anos na casa de seu novo patrão. Enquanto ele trabalhava na fazenda, Vaninha cuidava de seus quatro filhos. Ele sempre a surpreendia com flores ou suas comidas favoritas. Todas as noites, antes de dormir, dizia a ela:

    –– Amo você mais do que todas as estrelas do céu!

    E ela sorria.

    Mas o tempo passou, os filhos foram embora de casa e Vaninha passou a ficar mais deprimida. Reclamava de tudo. Da comida que era pouca, da distância dos filhos, da ausência do marido durante todo o dia. Osvaldo tentava agradá-la levando-a para as quermesses, levando sua fruta favorita, mas nada parecia resolver o problema. 

    Em um fatídico dia, Vaninha parou de reclamar. Tudo para ela era bom e todos os esforços de Osvaldo eram recompensados. E assim viveram por mais de dez anos, ambos com sorriso enorme no rosto.

    Aos sessenta anos, Seu Osvaldo vivia o melhor momento de sua vida. Tinha uma esposa maravilhosa, filhos prestativos e havia virado homem de confiança do dono da fazenda. Chegou em casa com um buquê de margaridas apanhadas no quintal, mas a habitação estava silenciosa. Gritou por Vaninha, não obtendo resposta.

    Correu até o quarto e sentiu as vistas escurecerem, caindo em um baque surdo. Ao acordar, Vaninha ainda estava lá, banhada em vermelho. Seu Osvaldo também havia caído no grande rio de sangue. Gritou para chamar ajuda e essa foi a última vez que se escutou sua voz.

    Vinte e dois anos se passaram. Osvaldo continua mergulhado no silêncio. A pedido seu, não recebe visita dos filhos e o único som que resiste é o da televisão, constante e aprisionador. A vida é cada vez mais silenciosa, enquanto tudo grita dentro dele.

    Seu Osvaldo se culpa o tempo todo por não ter estado presente, por não ter ouvido a mulher que amava. Que ainda ama. No silêncio da casa, ele ainda a escuta. Mas, ao contrário do que se espera, ela não grita. Vaninha está calada, assim como Osvaldo, assim como milhares de pessoas que decidem se calar para enfrentar a dor. 

    Silêncio. A noite toda transcorre em silêncio. Nenhum barulho, nem dos passos vacilantes do homem, nem dos grilos que cantavam sempre. Nem mesmo as vacas se movem no campo. Hoje Seu Osvaldo desligou a televisão.

Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.