Faz muito tempo que não indico jogos no aplicativo do mês, então decidi indicar agora.
Imagem: Similar Games Rankings
Já conhecia o World Chef a uns três anos, mas tinha parado de jogar. Voltei esse ano e continuo achando-o muito divertido.
O World Chef é um jogo de culinária, onde você monta seu próprio restaurante, o decora como quiser, contrata novos chefs e prepara as comidas. O interessante é que não é daqueles jogos em que você precisa ter pressa para preparar os pratos – como Cooking Fever. Você coloca o chef para atender o pedido e o coleta quando estiver pronto.
Além disso, você também pode ajudar seus amigos com pratos ou no vinhedo.
World Chef está disponível para Android e iOS e é gratuito.
Passo minhas coisas de um lado para o outro, tentando arrumar o quarto. Mexendo em alguns papéis antigos, encontro uma carta com o meu nome. Não me lembro de tê-la visto antes, então abro-a rapidamente. A carta não possui nenhum cumprimento, apenas começa assim:
“Sei o que você está pensando. Você nunca viu essa carta antes e está curiosa para saber o que tem nela. E agora você está pensando que essa letra é bem parecida com a sua, só que mais bonita. Como eu sei disso? Eu te conheço muito bem.
E agora você está desesperada achando que eu sou algum stalker que fico te observando pela janela, mas eu não sou. Sei o que você está sentindo. Sei que chora toda noite e pensou muitas vezes em desistir. Que tomou uma quantidade enorme de remédios para espantar o sofrimento.
Mas você não pode fazer isso. Não pode desistir de tudo. Porque eu vi seu futuro e sei que ele é lindo. Daqui a vinte anos você estará tendo uma vida que as pessoas se matam para conseguir.
Não será tão rica, mas estará em seu emprego dos sonhos. Terá uma família linda e, acima de tudo, você será feliz como nunca foi antes. Eu posso te prometer um futuro cheio de coisas boas, mas só se você não desistir agora.
Você é uma mulher forte e incrível, por mais que ainda não perceba isso. Você consegue iluminar tudo ao seu redor e as pessoas ficam fascinadas com o seu brilho. Esse brilho parece muitas vezes se apagar, quando você está em casa sozinha, mas isso não acontece. Não se pode apagar o brilho de uma estrela.
Muitas pessoas se inspiram em você, por mais que não digam nada. Sua história faz muitas pessoas se sentirem fortes para continuar, por mais que o mundo pareça estar do avesso. Sei que vai doer, que você vai chorar muito ainda. Mas, por favor, faça isso por nós.”
A série desse mês não é uma grande obra, mas é ótima para dar umas risadas.
Apartment 23 (anteriormente Don’t Trust The Bitch In Apartment 23) estreou em abril de 2012, sendo cancelada em maio de 2013.
A série conta a história de June (Dreama Walker), uma garota que sai de Indiana e vai morar em New York para um emprego em Wall Street. Em seu primeiro dia ela descobre que a empresa onde ela iria trabalhar fechou, mas ela não desiste de seu sonho de morar na Big Apple.
Logo ela conhece Chloe (Krysten Ritter – sim, a Jessica Jones), uma mulher egoísta que aplica golpes em suas colegas de quarto. Depois de Chloe tentar – e conseguir, em alguns casos – aplicar vários golpes em June, as duas se tornam amigas.
Outros personagens são apresentados como James Van Der Beek (ator de Dawson’s Creek) – o melhor amigo de Chloe -, Eli (Michael Blaiklock) – o vizinho pervertido das duas -, Luther (Ray Ford) – o assistente de James -, e Mark (Eric Andre) – amigo de June, que é secretamente apaixonado por ela.
A série é muito divertida, por mais que na maior parte do tempo a Chloe seja completamente insuportável. Foi engraçado também ver a Krysten em um papel tão diferente de Jessica Jones, em que ela era tão séria.
Infelizmente, a série foi cancelada faltando oito episódios para o final da segunda temporada, por falta de audiência. De qualquer forma, vale a pena assistir. Apartment 23 está disponível na Netflix.
Depois de assistir o filme Loving, Vincent, eu acabei me apaixonando por Van Gogh. Quando descobri o livro Van Gogh – A Vida, de Steven Naifeh e Gregory White Smith, sabia que precisava lê-lo.
Em suas 1128 páginas, o livro vai a fundo na história de Vincent, começando com a vida de seus pais na Holanda até a morte do pintor em 1890, na França.
Os autores abordam seus episódios mais conhecidos com detalhes, como a criação de Noite Estrelada e o corte da orelha. Além disso, eles apresentam vários motivos para acreditar que Van Gogh não se suicidou, e sim foi assassinado.
Também tentavam explicar a mente conturbada de Van Gogh e os motivos que o levaram a ser assim.
Mesmo sendo um livro grande, a leitura não é pesada e eu gostei muito de descobrir a vida de Van Gogh. O livro está disponível na versão Kindle por R$17,90, que você pode comprar aqui.
Quem me conhece sabe que em 2017 eu perdi 10 quilos sozinha. Eu não recomendo isso, porque precisamos da ajuda de um nutricionista para emagrecer. De qualquer forma, em 2018 eu recuperei esses dez quilos e decidi perdê-los novamente em 2019.
Logo que voltei de viagem no meio de janeiro, mudei completamente de vida. Fui em uma nutricionista e voltei para uma rotina de exercícios. Só que era meio frustrante pesar e perceber que meu peso um dia estava mais alto, no outro, mais baixo.
Por isso, quando eu encontrei o Happy Scale na App Store, fiquei muito feliz. Ao entrar no aplicativo, ele lhe pergunta qual o seu peso atual e em que peso quer chegar. Depois, ele divide esses quilos em dez minimetas iguais, que você vai conquistando em sua jornada.
O Happy Scale também reconhece que o nosso peso oscila ao logo do tempo, por isso, nos dá o peso médio baseado naquele da balança. Também nos dá a previsão de quando bateremos as metas e quais as tendências de emagrecimento.
Quanto mais você pesar, mais o Happy Scale ficará preciso. Por isso, eu peso todos os dias, logo após acordar. O aplicativo é uma boa opção para controlar seu peso e eu o recomendo muito.
Infelizmente, o Happy Scale está disponível apenas para iOS.
10. Você ganha poderes e dá vida para o personagem do último livro que leu
Em meu relógio, vejo que passa de uma da manhã. Perdi a noção do tempo enquanto lia e preciso acordar cedo para ir à escola. Fecho o livro, colocando-o na estante. Meu último pensamento é sobre o quão divertido seria se o Harry Potter realmente existisse.
Meu despertador me faz levantar com um pulo. Escuto um resmungo no momento em que coloco os pés no que deveria ser o chão. Um garoto está deitado ali. Ele possui uma cicatriz na testa e óculos redondos estão posicionados sobre seu rosto.
— Quem é você? – pergunto, nervosa.
— Harry Potter, claro. Onde eu estou? Estava na casa dos Weasleys e acordei aqui.
— Isso só pode ser uma brincadeira dos meus pais. Eles falam que estou lendo muito os seus livros, devem ter feito isso para zombar de mim.
— Livros? Que livros? Eu nunca escrevi um livro.
— É lógico que você não escreveu. Você é um personagem. Foi a J.K Rowling quem escreveu.
— Eu sou o quê? – ele parece tão chocado quanto eu. – E quem é essa mulher?
— Você é um personagem, obviamente. Sua existência se deve a palavras que foram escritas sobre você. Espera aí. Você é realmente Harry Potter? – ele assente. – Você está na Austrália. Meu nome é Sam. – Estou sem palavras. Harry Potter está dentro da minha casa. – Preciso tirar você daqui, antes que meus pais lhe vejam. Você não pode nos teletransportar ou algo assim?
— Aparatar? Não, só tenho 16 anos, ainda não posso ter uma licença.
— Droga, acho que você vai ter que sair pela janela. Espere aqui. Eu vou tomar café da manhã e depois volto para lhe ajudar a sair.
Desço as escadas, correndo até a cozinha. Engulo o meu café da manhã o mais rápido possível e volto para o quarto, mas ele está vazio. Droga. Devo ter imaginado isso tudo.
Pego minha mochila e saio de casa, indo a caminho da escola. Sinto alguém me cutucar e, ao virar-me, vejo Harry. Respiro aliviada ao saber que não estava imaginando coisas.
— E então, para onde estamos indo? – ele pergunta.
— Para a escola.
— Ótimo. Sinto muita falta de Hogwarts nas férias.
— Nós não estamos indo para Hogwarts, porque Hogwarts não existe.
— O quê? Como assim?
— Eu já disse, Harry. Você é um personagem de uma série de livros. São sete livros contando a sua história descobrindo o mundo mágico, desde o momento em que você foi deixado na porta dos seus tios até o confronto final com Voldemort. Isso significa que nada daquilo existe, incluindo Hogwarts.
— Eu estou arrasado. Mas será que você pode me dizer como será o confronto final com Voldemort? Eu já estou meio cansado de ter que lutar com ele todo ano.
— Ainda não li essa parte. Estamos chegando na escola, se comporte e por favor, não faça nenhuma mágica.
O dia passa depressa. Todos os meus amigos ficam interessados em meu amigo que “se parece muito com Harry Potter” e ele logo se enturma. Ao final da aula, levo Harry de volta para minha casa.
— Ei, Sam. – ele se vira para mim. – Foi um dia legal. Me diverti muito com você, por mais que tenha destruído todas as minhas ilusões.
— Está tudo bem. Provavelmente eu também sou um personagem e uma garota de um outro país deve estar escrevendo esta história agora.
— É, quem sabe? – ele ri e se aproxima de mim.
No momento em que os dois vão se beijar, Harry recebe um cutucão e acorda num susto. Está de volta n’A Toca e Rony está parado em sua frente.
— Eu tive o sonho mais estranho hoje, Ron.
— O que aconteceu?
— Sonhei que estava na Austrália com uma garota chamada Sam e ela me contou que eu era um personagem de um livro escrito por uma tal J.K. Rowles, ou algo assim.
— Que viagem, Harry. Agora vai se arrumar ou nos atrasaremos para pegar o Expresso de Hogwarts.
O filme desse mês é um original Netflix. Escrito e dirigido por Greg Pritikin, A Última Gargalhada (2019) conta a história de Al Hart (Chevy Chase), um empresário do showbiz, que reencontra seu amigo Buddy Green (Richard Dreyfuss) e o convence a entrar em um circuito de shows de comédia.
Os dois andam por pequenas cidades dos Estados Unidos, onde Buddy se apresenta. Acabam se metendo em enrascadas, como serem presos.
Embora o filme comece um pouco lento, logo vai se desenvolvendo e acaba por prender a atenção. Não é um filme maravilhoso, mas é bom para passar o tempo e dar algumas risadas depois de um dia cansativo no trabalho.
9. Depois de anos surdo, você volta a escutar e não sabe como será ouvir sua música favorita outra vez
O consultório do Dr. Adam é bastante iluminado e colorido, com muitas ilustrações coladas nas paredes. O cheiro de limpeza é bastante forte e, lá fora, o sol aquece todos que caminham na rua.
Em libras, Dr. Adam me avisa que vai ligar o implante coclear – um equipamento com um microfone, um processador de fala e um transmissor – e que, provavelmente, eu voltarei a escutar. Meu coração se acelera. Voltar a escutar é o meu maior sonho desde que perdi a audição com dez anos.
Dr. Adam encaixa o aparelho em meu ouvido, ligando-o bem baixinho. O que antes era silêncio absoluto transforma-se em pequenos ruídos, como o barulho do ar condicionado e do computador.
Ele aumenta o volume do aparelho e começa a falar comigo. Depois de anos sem ouvir nem um ruído, finalmente estou escutando. Dr. Adam me fala sobre os cuidados com o implante e sobre o retorno, mas a única coisa que consigo pensar é que finalmente consigo ouvir.
No caminho de volta para casa, aproveito para tentar decifrar cada som. Escuto uma garotinha correndo e brincando com seus amigos, o som dos pássaros cantando, o barulho dos carros correndo. O barulho da sacola da mulher idosa, de pessoas conversando do outro lado da rua, o barulho dos meus passos no chão.
Ao colocar a chave na fechadura, para abrir a porta de casa, escuto o barulho de seu giro e da porta rangendo ao abrir e ao fechar mais uma vez. Sento-me no sofá, escutando suas madeiras velhas rangerem com o meu peso.
Pego meu celular e abro o YouTube. Digito o nome da minha música favorita. Era tão bom escutá-la que eu fazia isso o tempo todo. Para ir para a escola, para tomar banho, para dormir.
Mas já faz sete anos. E se a minha música favorita não for tão boa quanto eu me lembro? E se, ao escutá-la, eu destruir todas as lembranças? Meus dedos tremem e eu não consigo apertar o play. Não quero estragar tudo.
Por outro lado, lembro que prometi para mim mesmo que, se algum dia eu voltasse a escutar, ouvir essa música seria a primeira coisa que eu faria. Não posso descumprir uma promessa dessas.
Ainda tremendo, aperto o play. Escuto o som doce do violino, o solo de guitarra. Quando a música acaba, meu rosto está encharcado. Isso não foi como eu esperava, foi ainda melhor. Aquele garotinho de dez anos de idade tinha bom gosto, com toda certeza.
Olá,
Sou Laura Braga
27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.