• Imagem: Netflix

    A série do mês de fevereiro me cativou pela sua simplicidade e doçura. Baseada no livro Anne de Green Gables, publicado em 1908, Anne with an “E” foi produzida pelo canal canadense CBC.

    Conta a história de Anne (Amybeth McNulty), uma garota órfã que, por conta de um problema de comunicação, acaba sendo adotada por Marilla (Geraldine James) e Matthew Cuthbert (R. H. Thomsom) e vai morar em Green Gables, na cidade de Avonlea.

    Anne é uma garota muito inteligente e que adora conversar, mas acaba sofrendo preconceito dos outros moradores da cidade. Conforme o tempo passa, a maioria das pessoas aprende a gostar e a respeitar Anne.

    Anne with an “E” possui duas temporadas e está disponível na Netflix.

  • Imagem: We Heart It

    8. Seu apartamento está pegando fogo e você pode salvar apenas duas coisas

    A água do chuveiro quente parece massagear meu corpo. Depois de um dia cansativo no trabalho, a única coisa que quero é comer um pedaço do bolo de chocolate que estou assando e me deitar.

    Desde que minha família saiu de viagem, a paz reina em minha casa. Não escuto mais os barulhos constantes do secador de minha irmã, nem o barulho do martelo de meu pai consertando algo.

    Um cheiro de fumaça, de súbito, invade o banheiro. Coloco, às pressas, minha bermuda e corro até a cozinha para checar o que está acontecendo. Luzes alaranjadas dançam no interior do recinto e o fogão começa a se desmanchar. Meu coração parece sair do peito. Meus pais vão me matar quando descobrirem isso.

    Movimento-me rapidamente até a sala, pegando meu celular. Abro o Google. “Como fazer para apagar um incêndio?” As primeiras coisas que vejo são: utilize um extintor e use um abafador.

    Não tenho um extintor, mas acho que posso usar qualquer pano para apagar o fogo. Um dos panos de prato de minha mãe, com estampa de jarras, é atirado ao fogo. Por um momento penso que tudo vai acabar. Mas estou errado. O fogo começa a se alastrar pela casa, da mesma forma que meu pânico.

    Ligo para os bombeiros. Sou informado de que devo pegar os meus dois pertences mais importantes e sair. Ao chegar em meu quarto, deparo-me com a infinitude de coisas que quero manter.

    Como poderei ficar sem o meu celular? Sem minha coleção de gibis? Sem os meus CDs favoritos? E sem o meu computador? Tenho tantos jogos nele que não faço ideia do número. Preciso também das minhas pastas de fotos. Da minha televisão. Preciso da minha carteira e também das minhas roupas.

    O barulho do fogo se espalhando fica cada vez mais intenso. Corro até o meu guarda-roupa, pegando uma mala lilás de minha mãe. Coloco todos esses itens dentro dela, parando ainda para pegar outros.

    Preciso sair. Mas como posso ficar sem os bonecos que minha avó me deu, que estão no quarto de minha mãe? Corro para lá e enfio os bonecos dentro da mala.

    A porta de casa já está consumida pelo fogo. Volto para o meu quarto correndo, onde as chamas estão quase chegando e vou até a janela. Não existe a menor chance de pular vinte e seis andares e sair com vida.

    Escuto gritos. Minha vizinha de cima me estende a mão para que eu suba. Entrego a minha mala primeiro. Não posso arriscar ficar sem as minhas coisas. Ela grita mais e mais, mas eu não consigo entender nada.

    As chamas estão cada vez mais próximas e já se espalharam pela minha cama. Quando estico a mão para minha vizinha, meus pés começam a arder. O fogo se espalha rapidamente pelo meu corpo, queimando as minhas roupas. Sinto ela me puxar e apagar o fogo de minhas roupas e cabelos. Meus olhos ficam pesados e penso que pelo menos tive uma chance de salvar minhas coisas mais importantes.

  • Imagem: Amazon

    O livro que eu escolhi para indicar este mês descobri quando estava fazendo meu trabalho final de francês. Precisava ler um livro em francês e acabei optando por “Contos do dia e da noite”, pensando que eu não precisaria ler ele todo, já que eram contos.

    Assim que comecei, não consegui parar de ler. Havia alguns momentos em que eu ficava perdida por conta do idioma, mas fui até o fim de qualquer forma.

    Obra de Guy de Maupassant, um importante escritor francês, Contos do dia e da noite foi publicado em 1885. O livro possui 21 contos, nos quais Maupassant mistura humor, terror e também reflexões sobre a vida humana.

    Para os que gostam de textos curtos que conseguem ser tão impactantes quanto romances, eu indico este livro. Contos do dia e da noite custa R$20,71 em sua versão de bolso aqui, R$3,90 em sua versão para Kindle aqui e de graça em francês aqui.

  • Imagem: We Heart It

    7.  Há um assassino em sua casa e você tem cinco minutos para convencê-lo a não te matar

    O barulho que o vento faz ao sacudir as folhas das árvores e os vidros da janela parece fazer parte de uma cena de filme de terror. Uma grande tempestade se aproxima mas, dentro de casa, Jeannette despe-se para tomar seu banho quente.

    A grande banheira de mármore tem, no mínimo, 60 anos. A casa fora construída quando os sogros de Jeannette se casaram e se tornou dela e de seu marido, Will, depois da morte dos donos.

    Jeannette havia odiado se mudar de sua casa confortável no centro da cidade para essa casa de madeira no campo. Mas isso permitiu que ficasse mais tempo perto de seu amante, Kent.

    Kent respirava alegria, enquanto Will só sabia reclamar sobre contas e problemas do trabalho. Jeannette estava farta. A única coisa que ela queria era relaxar em sua banheira, enquanto bebia um bom champanhe. E foi isso que ela fez nessa noite.

    Com a taça em uma mão e o celular em outra – mandando mensagem para Kent -, Jeannette só quer aproveitar a noite, enquanto seu marido está de plantão no trabalho.

    Às vinte e uma horas, a campainha toca. Jeannette sai correndo de seu quarto para abrir a porta. O cheiro do frango que ela prepara na cozinha já se espalhou pela casa toda e é a primeira coisa que Kent nota.

    Depois do jantar, os dois se sentam no sofá da sala e conversam durante um longo tempo. Jeannette sente seu peito doer por causa de suas risadas eufóricas. De repente, escutam a madeira ranger.

    Kent decide ir na parte da frente da casa verificar. Quando volta, não está mais sozinho. Um homem alto e magro, usando um capuz e uma máscara no rosto, segura o pescoço de Kent, enquanto seu revólver está apontado para a cabeça dele.

    — O que está acontecendo aqui? – Jeannette grita, desesperada. – Você quer dinheiro? Posso dar o que quiser, só não o machuque.

    O estrondo do tiro passa despercebido no meio dos barulhos de trovões. Kent cai no chão em um baque. Jeannette não tem coragem de se aproximar para ver se ele ainda está vivo.

    O silêncio é ensurdecedor. Jeannette fica ali, bebendo lágrimas, apenas esperando o momento em que a bala atravessará seu corpo, destruindo tudo: órgãos, músculos, dores, paixões, pecados.

    — Você se acha melhor do que todo mundo, não é mesmo, Jeannette?

    Ele a puxa para uma cadeira e ela sente cordas grossas se enrolarem em seu corpo como cobras.

    — Então é isso que você faz quando Will não está em casa?

    Jeannette reconhece a voz. Mike. O melhor amigo de Will. A pessoa que ela já recebeu em sua casa inúmeras vezes. O simpático e agradável Mike.

    — Mike? O que você está fazendo?

    — Droga. – ele suspira e tira a máscara. – Você pensou que eu não iria descobrir da sua vida dupla? Enquanto Will trabalha, sua maravilhosa esposa transa com um qualquer. Mas isso vai mudar. Quando você morrer, serei eu a consolar Will. Ele vai ficar devastado, mas vai superar. E logo vai perceber quem realmente está ao seu lado e nós vamos ficar juntos.

    — Eu não imaginava que você gostava de Will dessa maneira. – sua voz continua chorosa. – E eu não ligo. Se você quiser, posso sumir, se quiser. Posso deixar vocês dois em paz. Mas por favor Will, não me mate.

    — Sinto muito, querida.

    Um segundo barulho de tiro ecoa pela casa.

  • Imagem: Reflectly

    Um aplicativo criado para refletir sobre os seus dias. Utilizando o modelo de Stories, o Reflectly propõe que, ao final de cada dia, você faça um balanço do que se passou.

    Com o aplicativo, você pode dizer como foi o seu dia, o que você estava fazendo e como estava se sentindo. Além disso, todos os dias ele lhe traz uma pergunta nova para que você possa refletir ainda mais.

    Você também pode adicionar uma foto que represente o seu dia, ou nomear esse dia. E os Stories antigos sempre estarão disponíveis para que você possa voltar e relembrar de um dia, ou procurar padrões que afetem seu humor.

    Reflectly serve como um diário para anotações curtas do dia a dia. O aplicativo está disponível para Android e iOS e é gratuito.

  • Pretendia indicar uma série este mês que prendeu bastante minha atenção, mas que muitas vezes romantiza o abuso e não é recomendada para qualquer tipo de pessoa. Acho que, com essa descrição, muita gente já pode saber de qual série estou falando.

    Imagem: UOL

    Em vez disso, decidi trazer uma animação brasileira que se tornou minha queridinha nos últimos tempos. Criada por Juliano Enrico, Irmão do Jorel conta a história de um garoto de oito anos que, ofuscado pelo seu irmão mais velho, tenta encontrar seu lugar na família.

    Essa é uma série muito diferente de todas que eu já postei aqui, mas o jeito leve e engraçado da série me cativou.

    A família de Irmão do Jorel é muito interessante e engraçada, com cada um tendo suas particularidades. A minha personagem favorita é a Vovó Juju, que, além de ser fofa e muito divertida, me lembra a minha avó.

    Irmão do Jorel tem duas temporadas na Netflix, mas também passa no Cartoon Network, sua emissora original.

  • Imagem: Netflix

    Olá!

    Primeiro, quero pedir desculpas pela demora.As comemorações de Ano Novo acabaram se estendendo bastante e eu não consegui postar antes. E, em segundo lugar, quero desejar um Feliz Ano Novo para todos que acessam o meu blog.

    A primeira indicação de filme deste ano é um original Netflix feito no Peru. Dirigido por Bruno Ascenzo e Joanna Lombardi Pollarolo, Como Superar Um Fora foi lançado em 2018.

    O filme conta a história de María Fé (Gisela Ponce de León), que se sente devastada quando Matías (Andrés Salas) rompe com ela, via Skype, após seis anos de namoro.

    Ao longo de seu tempo de superação, ela conta com a ajuda de seus amigos Natalia (Karina Jordán) e Santiago (Christopher von Uckermann), além de sua nova colega de quarto, Carolina (Jely Reátegui).

    Além disso, María Fé cria o seu próprio blog chamado Soltera Codiciada, que acaba bombando entre o público peruano.

    O filme possui vários momentos de comédia e também momentos em que passamos raiva, como quando Matías vai procurar María Fé. É ótimo ver a união das três amigas e a forma como elas se apoiam em momentos difíceis.

    Como superar um fora está disponível na Netflix e possui 1h44min de duração.

  • 6. Você descobre uma máquina estranha no porão e acaba sendo lançado em uma viagem do tempo

    Imagem: Pequena Miss Sunshine

    Observo as inúmeras caixas espalhadas pelo lugar. Foi uma ideia estúpida decidir limpar o porão da casa de meus avós sozinha. Entretanto, tive que fazer isso, pois o último pedido de meu avô era que ninguém, além de mim, mexesse em suas coisas.

    Abro uma das caixas empoeiradas e encontro uma pilha de fotografias de meus avós. Em todas essas fotos, eles parecem felizes e apaixonados. Mas quem via os dois de perto sabia que não era assim. Houve inúmeras traições de ambas as partes eles se xingavam o tempo todo.

    Na verdade, meu avô reclamava de tudo. Reclamava do meu pai – seu único filho -, de minha avó, do tempo e até do cachorro da família. A única pessoa de quem ele nunca reclamou foi de mim.

    Nós dois sempre fomos melhores amigos. Ele me ensinou a ler, me ensinou a andar de bicicleta. Todos os domingos, íamos juntos caminhar pela cidade. Ele me aconselhava em tudo e, em seus últimos dias, a única pessoa que ele queria que lhe fizesse companhia no hospital era eu.

    Ele morreu em meus braços. E, segundos antes de morrer, ele me disse que tinha algo para mim no porão, mas que eu deveria procurar sozinha.

    Respiro fundo, engolindo meu choro. Continuo mexendo nas grandes caixas. Ao ficar na ponta do pé, para colocar uma caixa em cima da prateleira, acabo esbarrando em uma geladeira velha. A geladeira é enorme, pintada de roxo com um design futurista. A porta da geladeira se abre e eu percebo que o objeto não é o que eu imagino.

    Entro no objeto, que possui diversos botões. Aperto um botão grande e vermelho e, a princípio, nada acontece. Logo, a porta se fecha e tudo começa a balançar. Eu me sinto tonta e desmaio.

    Ao acordar, percebo que não estou mais no porão de meu avô. Uma claridade forte irrita meus olhos e eu demoro um tempo para perceber onde estou. Um hospital. Será que tudo foi um sonho e meu avô não morreu? Será que só vim buscar algo e acabei desmaiando?

    Olho para a placa no canto da sala de espera. Hospital Maria das Graças. Isso só pode estar errado. Esse hospital já fechou há mais de vinte anos. Envolveu-se num escândalo de lavagem de dinheiro e acabou falindo.

    Vou falar com a recepcionista para entender o que está acontecendo, mas ela não me escuta. Então, vejo um rosto conhecido. Ele possui um olhar preocupado e segura o terço na mão com muita força.

    Belisco-me, tentando acordar desse sonho. Olho mais uma vez para ter certeza que é ele. Meu avô está vinte e poucos anos mais novo, mas com certeza é ele. Reconheceria aqueles olhos em qualquer lugar do mundo.

    Ele atravessa a recepção do hospital e eu decido segui-lo. Acompanho-o enquanto ele passa por diversos corredores, observa dentro de quartos. Ele para em frente da placa “Maternidade”.

    Minha vó está lá. Eles se abraçam por um segundo e meu avô pergunta:

    — Já nasceu?

    — Ninguém disse nada ainda.

    Fico ali, observando os dois em silêncio. A minha vontade é de sentar entre eles e abraçá-los com força, mas algo me deixa presa na cadeira onde estou sentada.

    Minutos depois, um enfermeiro diz que os dois podem entrar. Sigo-os até o quarto de tons azuis e vejo meus pais. Meu pai está em pé, beijando a testa de minha mãe, que segura um bebê no colo. Eu.

    Meu avô estende seus braços para pegar o bebê, que ele começa a ninar. Um sorriso enorme surge em seu rosto. Eu nunca o vi sorrindo dessa maneira.

    Sinto tudo balançar novamente. Encontro-me no porão da casa de meus avós mais uma vez, deitada no chão. Ao meu lado, encontro uma carta:

    “Minha querida,

    Se estiver lendo essa carta, provavelmente já terei morrido. Foi divertido viajar na máquina do tempo? Porque eu criei ela apenas para voltar para o melhor momento da minha vida: o dia do seu nascimento.

    Você sempre foi e sempre será a minha pessoa favorita no mundo. Desde o primeiro momento que lhe peguei em meus braços, sabia que faria de tudo para lhe proteger. Logo eu que reclamo de tudo nunca encontrei um motivo sequer para reclamar de você.

    Obrigado por todos os momentos bons que passamos juntos. Eu tenho muito orgulho da mulher que você se tornou e não importa o que aconteça, eu sempre estarei com você.

    Além disso, sempre que estiver se sentindo mal e precisar de mim, a máquina do tempo estará aqui para lhe levar até mim. Obrigado por essa aventura, neta querida. Até a próxima.”

Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.