• Imagem: Netflix

    O filme desse mês é um original Netflix. Escrito e dirigido por Greg Pritikin, A Última Gargalhada (2019) conta a história de Al Hart (Chevy Chase), um empresário do showbiz, que reencontra seu amigo Buddy Green (Richard Dreyfuss) e o convence a entrar em um circuito de shows de comédia.

    Os dois andam por pequenas cidades dos Estados Unidos, onde Buddy se apresenta. Acabam se metendo em enrascadas, como serem presos.

    Embora o filme comece um pouco lento, logo vai se desenvolvendo e acaba por prender a atenção. Não é um filme maravilhoso, mas é bom para passar o tempo e dar algumas risadas depois de um dia cansativo no trabalho.

    A Última Gargalhada está disponível na Netflix.

  • Imagem: We Heart It

    9. Depois de anos surdo, você volta a escutar e não sabe como será ouvir sua música favorita outra vez

    O consultório do Dr. Adam é bastante iluminado e colorido, com muitas ilustrações coladas nas paredes. O cheiro de limpeza é  bastante forte e, lá fora, o sol aquece todos que caminham na rua.

    Em libras, Dr. Adam me avisa que vai ligar o implante coclear – um equipamento com um microfone, um processador de fala e um transmissor – e que, provavelmente, eu voltarei a escutar. Meu coração se acelera. Voltar a escutar é o meu maior sonho desde que perdi a audição com dez anos.

    Dr. Adam encaixa o aparelho em meu ouvido, ligando-o bem baixinho. O que antes era silêncio absoluto transforma-se em pequenos ruídos, como o barulho do ar condicionado e do computador.

    Ele aumenta o volume do aparelho e começa a falar comigo. Depois de anos sem ouvir nem um ruído, finalmente estou escutando. Dr. Adam me fala sobre os cuidados com o implante e sobre o retorno, mas a única coisa que consigo pensar é que finalmente consigo ouvir.

    No caminho de volta para casa, aproveito para tentar decifrar cada som. Escuto uma garotinha correndo e brincando com seus amigos, o som dos pássaros cantando, o barulho dos carros correndo. O barulho da sacola da mulher idosa, de pessoas conversando do outro lado da rua, o barulho dos meus passos no chão.

    Ao colocar a chave na fechadura, para abrir a porta de casa, escuto o barulho de seu giro e da porta rangendo ao abrir e ao fechar mais uma vez. Sento-me no sofá, escutando suas madeiras velhas rangerem com o meu peso.

    Pego meu celular e abro o YouTube. Digito o nome da minha música favorita. Era tão bom escutá-la que eu fazia isso o tempo todo. Para ir para a escola, para tomar banho, para dormir.

    Mas já faz sete anos. E se a minha música favorita não for tão boa quanto eu me lembro? E se, ao escutá-la, eu destruir todas as lembranças? Meus dedos tremem e eu não consigo apertar o play. Não quero estragar tudo.

    Por outro lado, lembro que prometi para mim mesmo que, se algum dia eu voltasse a escutar, ouvir essa música seria a primeira coisa que eu faria. Não posso descumprir uma promessa dessas.

    Ainda tremendo, aperto o play. Escuto o som doce do violino, o solo de guitarra. Quando a música acaba, meu rosto está encharcado. Isso não foi como eu esperava, foi ainda melhor. Aquele garotinho de dez anos de idade tinha bom gosto, com toda certeza.

  • Imagem: Netflix

    A série do mês de fevereiro me cativou pela sua simplicidade e doçura. Baseada no livro Anne de Green Gables, publicado em 1908, Anne with an “E” foi produzida pelo canal canadense CBC.

    Conta a história de Anne (Amybeth McNulty), uma garota órfã que, por conta de um problema de comunicação, acaba sendo adotada por Marilla (Geraldine James) e Matthew Cuthbert (R. H. Thomsom) e vai morar em Green Gables, na cidade de Avonlea.

    Anne é uma garota muito inteligente e que adora conversar, mas acaba sofrendo preconceito dos outros moradores da cidade. Conforme o tempo passa, a maioria das pessoas aprende a gostar e a respeitar Anne.

    Anne with an “E” possui duas temporadas e está disponível na Netflix.

  • Imagem: We Heart It

    8. Seu apartamento está pegando fogo e você pode salvar apenas duas coisas

    A água do chuveiro quente parece massagear meu corpo. Depois de um dia cansativo no trabalho, a única coisa que quero é comer um pedaço do bolo de chocolate que estou assando e me deitar.

    Desde que minha família saiu de viagem, a paz reina em minha casa. Não escuto mais os barulhos constantes do secador de minha irmã, nem o barulho do martelo de meu pai consertando algo.

    Um cheiro de fumaça, de súbito, invade o banheiro. Coloco, às pressas, minha bermuda e corro até a cozinha para checar o que está acontecendo. Luzes alaranjadas dançam no interior do recinto e o fogão começa a se desmanchar. Meu coração parece sair do peito. Meus pais vão me matar quando descobrirem isso.

    Movimento-me rapidamente até a sala, pegando meu celular. Abro o Google. “Como fazer para apagar um incêndio?” As primeiras coisas que vejo são: utilize um extintor e use um abafador.

    Não tenho um extintor, mas acho que posso usar qualquer pano para apagar o fogo. Um dos panos de prato de minha mãe, com estampa de jarras, é atirado ao fogo. Por um momento penso que tudo vai acabar. Mas estou errado. O fogo começa a se alastrar pela casa, da mesma forma que meu pânico.

    Ligo para os bombeiros. Sou informado de que devo pegar os meus dois pertences mais importantes e sair. Ao chegar em meu quarto, deparo-me com a infinitude de coisas que quero manter.

    Como poderei ficar sem o meu celular? Sem minha coleção de gibis? Sem os meus CDs favoritos? E sem o meu computador? Tenho tantos jogos nele que não faço ideia do número. Preciso também das minhas pastas de fotos. Da minha televisão. Preciso da minha carteira e também das minhas roupas.

    O barulho do fogo se espalhando fica cada vez mais intenso. Corro até o meu guarda-roupa, pegando uma mala lilás de minha mãe. Coloco todos esses itens dentro dela, parando ainda para pegar outros.

    Preciso sair. Mas como posso ficar sem os bonecos que minha avó me deu, que estão no quarto de minha mãe? Corro para lá e enfio os bonecos dentro da mala.

    A porta de casa já está consumida pelo fogo. Volto para o meu quarto correndo, onde as chamas estão quase chegando e vou até a janela. Não existe a menor chance de pular vinte e seis andares e sair com vida.

    Escuto gritos. Minha vizinha de cima me estende a mão para que eu suba. Entrego a minha mala primeiro. Não posso arriscar ficar sem as minhas coisas. Ela grita mais e mais, mas eu não consigo entender nada.

    As chamas estão cada vez mais próximas e já se espalharam pela minha cama. Quando estico a mão para minha vizinha, meus pés começam a arder. O fogo se espalha rapidamente pelo meu corpo, queimando as minhas roupas. Sinto ela me puxar e apagar o fogo de minhas roupas e cabelos. Meus olhos ficam pesados e penso que pelo menos tive uma chance de salvar minhas coisas mais importantes.

  • Imagem: Amazon

    O livro que eu escolhi para indicar este mês descobri quando estava fazendo meu trabalho final de francês. Precisava ler um livro em francês e acabei optando por “Contos do dia e da noite”, pensando que eu não precisaria ler ele todo, já que eram contos.

    Assim que comecei, não consegui parar de ler. Havia alguns momentos em que eu ficava perdida por conta do idioma, mas fui até o fim de qualquer forma.

    Obra de Guy de Maupassant, um importante escritor francês, Contos do dia e da noite foi publicado em 1885. O livro possui 21 contos, nos quais Maupassant mistura humor, terror e também reflexões sobre a vida humana.

    Para os que gostam de textos curtos que conseguem ser tão impactantes quanto romances, eu indico este livro. Contos do dia e da noite custa R$20,71 em sua versão de bolso aqui, R$3,90 em sua versão para Kindle aqui e de graça em francês aqui.

  • Imagem: We Heart It

    7.  Há um assassino em sua casa e você tem cinco minutos para convencê-lo a não te matar

    O barulho que o vento faz ao sacudir as folhas das árvores e os vidros da janela parece fazer parte de uma cena de filme de terror. Uma grande tempestade se aproxima mas, dentro de casa, Jeannette despe-se para tomar seu banho quente.

    A grande banheira de mármore tem, no mínimo, 60 anos. A casa fora construída quando os sogros de Jeannette se casaram e se tornou dela e de seu marido, Will, depois da morte dos donos.

    Jeannette havia odiado se mudar de sua casa confortável no centro da cidade para essa casa de madeira no campo. Mas isso permitiu que ficasse mais tempo perto de seu amante, Kent.

    Kent respirava alegria, enquanto Will só sabia reclamar sobre contas e problemas do trabalho. Jeannette estava farta. A única coisa que ela queria era relaxar em sua banheira, enquanto bebia um bom champanhe. E foi isso que ela fez nessa noite.

    Com a taça em uma mão e o celular em outra – mandando mensagem para Kent -, Jeannette só quer aproveitar a noite, enquanto seu marido está de plantão no trabalho.

    Às vinte e uma horas, a campainha toca. Jeannette sai correndo de seu quarto para abrir a porta. O cheiro do frango que ela prepara na cozinha já se espalhou pela casa toda e é a primeira coisa que Kent nota.

    Depois do jantar, os dois se sentam no sofá da sala e conversam durante um longo tempo. Jeannette sente seu peito doer por causa de suas risadas eufóricas. De repente, escutam a madeira ranger.

    Kent decide ir na parte da frente da casa verificar. Quando volta, não está mais sozinho. Um homem alto e magro, usando um capuz e uma máscara no rosto, segura o pescoço de Kent, enquanto seu revólver está apontado para a cabeça dele.

    — O que está acontecendo aqui? – Jeannette grita, desesperada. – Você quer dinheiro? Posso dar o que quiser, só não o machuque.

    O estrondo do tiro passa despercebido no meio dos barulhos de trovões. Kent cai no chão em um baque. Jeannette não tem coragem de se aproximar para ver se ele ainda está vivo.

    O silêncio é ensurdecedor. Jeannette fica ali, bebendo lágrimas, apenas esperando o momento em que a bala atravessará seu corpo, destruindo tudo: órgãos, músculos, dores, paixões, pecados.

    — Você se acha melhor do que todo mundo, não é mesmo, Jeannette?

    Ele a puxa para uma cadeira e ela sente cordas grossas se enrolarem em seu corpo como cobras.

    — Então é isso que você faz quando Will não está em casa?

    Jeannette reconhece a voz. Mike. O melhor amigo de Will. A pessoa que ela já recebeu em sua casa inúmeras vezes. O simpático e agradável Mike.

    — Mike? O que você está fazendo?

    — Droga. – ele suspira e tira a máscara. – Você pensou que eu não iria descobrir da sua vida dupla? Enquanto Will trabalha, sua maravilhosa esposa transa com um qualquer. Mas isso vai mudar. Quando você morrer, serei eu a consolar Will. Ele vai ficar devastado, mas vai superar. E logo vai perceber quem realmente está ao seu lado e nós vamos ficar juntos.

    — Eu não imaginava que você gostava de Will dessa maneira. – sua voz continua chorosa. – E eu não ligo. Se você quiser, posso sumir, se quiser. Posso deixar vocês dois em paz. Mas por favor Will, não me mate.

    — Sinto muito, querida.

    Um segundo barulho de tiro ecoa pela casa.

  • Imagem: Reflectly

    Um aplicativo criado para refletir sobre os seus dias. Utilizando o modelo de Stories, o Reflectly propõe que, ao final de cada dia, você faça um balanço do que se passou.

    Com o aplicativo, você pode dizer como foi o seu dia, o que você estava fazendo e como estava se sentindo. Além disso, todos os dias ele lhe traz uma pergunta nova para que você possa refletir ainda mais.

    Você também pode adicionar uma foto que represente o seu dia, ou nomear esse dia. E os Stories antigos sempre estarão disponíveis para que você possa voltar e relembrar de um dia, ou procurar padrões que afetem seu humor.

    Reflectly serve como um diário para anotações curtas do dia a dia. O aplicativo está disponível para Android e iOS e é gratuito.

  • Pretendia indicar uma série este mês que prendeu bastante minha atenção, mas que muitas vezes romantiza o abuso e não é recomendada para qualquer tipo de pessoa. Acho que, com essa descrição, muita gente já pode saber de qual série estou falando.

    Imagem: UOL

    Em vez disso, decidi trazer uma animação brasileira que se tornou minha queridinha nos últimos tempos. Criada por Juliano Enrico, Irmão do Jorel conta a história de um garoto de oito anos que, ofuscado pelo seu irmão mais velho, tenta encontrar seu lugar na família.

    Essa é uma série muito diferente de todas que eu já postei aqui, mas o jeito leve e engraçado da série me cativou.

    A família de Irmão do Jorel é muito interessante e engraçada, com cada um tendo suas particularidades. A minha personagem favorita é a Vovó Juju, que, além de ser fofa e muito divertida, me lembra a minha avó.

    Irmão do Jorel tem duas temporadas na Netflix, mas também passa no Cartoon Network, sua emissora original.

Sou Laura Braga

27 anos. Formada em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília. Procurando aprimorar a escrita e trazer sempre conteúdos melhores.